domingo, 28 de setembro de 2014

OS 5 ERROS MAIS COMUNS DE QUEM INVESTE EM FII: 3 - ADQUIRIR FUNDO DE FUNDOS

Qual o sentido de comprar um fundo de fundos? Diversificar? Reduzir riscos? Buscar ganhos superiores à média em função da gestão ativa? Facilitar os controles? O que justifica colocar o dinheiro num fundo de fundos?

Primeiro, vamos analisar a ilusão da diversificação e diluição dos riscos. A diversificação de ativos é uma forma de reduzir riscos. Existem diversos tipos de riscos e um fundo de fundos reduz a maioria desses riscos. Infelizmente, alguns riscos permaneceram e outros se acentuam. Reduzem-se os riscos ligados aos imóveis e títulos e elevam-se os relacionados à administração e gestão. O recente imbróglio do IR deixou claro que o investidor não deve subestimar os riscos relacionados à gestão.

Outra vantagem alegada seria a gestão ativa. Ela garantiria ganhos adicionais que um investidor comum, por conta própria, não alcançaria. Todavia, até agora os gestores de fundo de fundos tiveram uma atuação pífia (ver gráfico do BCFF11B). Apesar de alguns bons momentos no passado, no longo prazo a gestão ativa não fez a diferença. Esse fracasso pode ser explicado pelos limites da gestão ativa. O principal é a falta de agilidade desses fundos. Por exemplo, se um fundo de fundos decide vender um determinado ativo, para “realizar lucro”, provavelmente pressionará as cotações, reduzindo significativamente seus ganhos. O mesmo acontecerá na compra, quando a atuação do fundo acaba por elevar o valor do ativo alvo. Um investidor individual pode negociar o mesmo ativo sem pressionar as cotações. O problema enfrentado pelos gestores de fundo de fundos é agravado pelo fato dos FIIs terem baixa liquidez, dificultando a gestão ativa.

A alternativa para o investidor seria ter um número razoável de fundos comuns na carteira, obtendo assim a mesma diluição dos riscos. Mas essa estratégia tem a desvantagem requerer a análise de uma grande quantidade de fundos e, posteriormente, manter os controles de cada um, especialmente para o cálculo do imposto de renda em caso de alienação. Comprando um único fundo de fundos ficaria tudo mais fácil. Então, qual o problema? A prudência aconselha que o investidor estude a composição do fundo que está comprando, um trabalho que esbarra na falta da transparência dos fundos de fundos. Sem conhecer detalhes da carteira e a estratégia adotada pela gestão ativa fica inviável avaliar o fundo. O VP seria um bom parâmetro, mas a falta de uma metodologia padrão para o cálculo do VP tira a credibilidade desse indicador. Para piorar no mercado encontram-se coisas absurdas do tipo “fundo A aplica no fundo B que aplica no fundo A”.

A história mostra que fundos de fundos é um péssimo negócio. Eles estão entre as maiores perdas do mercado, alguns com cotação abaixo do valor de IPO depois de anos de negociações. Talvez no futuro os fundos de fundos possam cumprir o que prometem, mas hoje, investir neles não é a melhor opção.




Um comentário:

Pobre Marré disse...

Espero que você esteja errado ...
Comprei BPFF11 em novembro e mensalmente venho comprando bem pouco (3 a 5 cotas).
a rentabilidade tem sido e em torno de 0,9%.
Renda variável varia, mas espero que esse fundo mantenha uma gestão eficiente.
Parabéns pelo blog.